Sou pecador. Posso me juntar a Maria?

Maria: Mãe dos pecadores
Maria: Mãe dos pecadores

(parte I)

Um dia um sábio cristão recebeu essa pergunta de um devoto: “Mestre, sou pecador. Posso me juntar a Maria?”

A resposta do Sábio foi:

– “Que deves fazer, se por causa de teus pecados temes a vingança de Deus? Vai, recorre a Maria, que é a esperança dos pecadores”, assim disse São Boaventura.

Maria é um caminho, meu filho. Cristo é a meta. Engana-se quem acha que Maria é um fim em si mesmo. E como o caminho é de purificação, por que Maria não acolheria os impuros? Acaso já ouviu a história da freira Catarina e a Maria das cavernas?

– Não senhor.

– Pois ouça. Havia numa cidade uma senhora chamada Maria que viveu de pecado durante a maior parte da sua vida. Seu comportamento era tão abominável que foi expulsa da cidade e abrigou-se em cavernas até morrer por falta de cuidados básicos. Catarina era uma freira que sempre costumava recomendar as almas a Deus, mas acreditando ser um caso perdido, não recomendou Maria das cavernas. Passou-se quatro anos e a alma da senhora apareceu a Catarina perguntando o motivo dela não tê-la recomendado. A freira assustou-se, principalmente pelo fato daquela mulher não estar em lugares piores. Perguntou-lhe então como escapou das regiões infernais. Eis que a alma respondeu: Por misericórdia da Virgem Maria.

– Quer saber o motivo da piedade de Nossa Senhora, meu filho?

– Sim, Mestre. Por favor, continue.

– Perto da morte, mesmo com toda vida pecaminosa, a moradora da caverna orou e pediu refúgio à Santíssima. Era sua única esperança e por isso implorou piedade e faleceu. Em razão dessa última lembrança, mesmo com todo histórico pecaminoso, pela graça da Santíssima Virgem, a falecida escapou do sofrimento e esteve por pouco tempo no purgatório a fim apenas de abreviar sua elevação. Enfim a falecida apareceu novamente para Catarina e pediu que rezasse algumas missas. Poucos dias depois tornou a aparecer ainda mais resplandecente que o sol e disse: Agora vou ao Paraíso cantar as misericórdias do Senhor, rogarei por ti. E desapareceu.

– Vê só, menino? Mesmo após uma vida de pecados, a Virgem não abandonou aquela senhora que no último suspiro lembrou-se de nossa Mãe.

– Isso me enche de esperança, Mestre.

– Há motivo suficiente para se ter esperança, menino. E direi ainda mais para que se sinta completamente seguro.

– São Afonso de Ligório uma vez disse: “Não há pecador, nem o maior de todos que se perca, se Maria o protege” e São Bernardo garantiu: “Ela mesma nos oferece a todos, leite e lã. Leite de misericórdia para animarmos a confiança e lã e refúgio para nos defender dos raios da justiça divina“. Na mesma linha, São Gregório de Nicomedia disse: “Não digais, ó Virgem Santíssima, que não vos é possível socorrer-nos, por ser grande a multidão de nossos pecados. Pois não há número de culpas que possa exceder ao vosso poder e amor. Tão grande são eles“.

– Todas essas palavras me confortam sem dúvida, Mestre. Parece um sonho. Mas deve haver alguma condição. Tudo me parece tão perfeito que custo a acreditar.

– Não há, meu menino, qualquer condição senão a própria disposição em emendar-se. Pois Maria é como um liquido raro de virtudes que não se pode transportar em qualquer recipiente. Como um devoto poderia continuar soberbo se Ela é modelo de humildade? ou desonesto diante da pureza Dela? cheio de ódio se Ela é cheia de amor? Não, não é possível. Os filhos de Maria “imitam-lhe a pureza, a humildade, a mansidão e a misericórdia” como disse o beato.

– Mas então, mestre, por não ter essas virtudes, talvez não a mereça.

– São Ligório diz: “Quando o pecador, embora ainda em pecados, se esforça para abandoná-los e para isso procura o socorro de Maria, esta mãe não deixará de socorrer e fazê-lo voltar a graça de Deus”. Entende, meu filho? Vê isso?

– Sim, mestre. Me agarro nisso. Mas é tão difícil. Mas tentarei. Continuarei me esforçando.

– Faça isso querido menino, e Maria o auxiliará. Há para isso a arma do Santo Rosário. Use-a. Foi São Bernardo quem disse: “oração na boca de pecador, ainda que não seja especiosa, porque lhe falta a companhia da caridade, é útil e frutuosa para tirá-lo do pecado”.

– Obrigado, Mestre. Farei o que diz. Hoje mesmo retornarei ao terço e voltarei em breve para lhe contar o progresso.

– Assim seja, filho, em nome de Maria, a paz esteja convosco.

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