Sou pecador. Posso me juntar a Maria? Parte II

Maria: Mãe dos pecadores
Maria: Mãe dos pecadores

Parte II: Desfecho da pergunta de dias atrás: “Sou pecador. Posso me juntar a Maria?”

Passaram-se dias, semanas e o rapazinho não retornou. O Mestre absorvia-se cada vez mais na reza do terço, a ponto de, a quem pudesse testemunhar, se transportar a Nazaré a cada volta nas contas. Não raramente era flagrado repreendendo o menino Jesus ou aconselhando Maria em seus transes, o que deixava o povo intrigado. 

Num daqueles dias, o menino retornou.

– Mestre, trago boas novas.

– Por sua radiância, vejo que tem rezado o Rosário, disse o Mestre.

– Sim, mestre. Por sua misericórdia e graça de Maria, embora ainda me pese os atos do passado.

– Por muito mais, Nossa Senhora perdoou o jovem Esquil, disse o ancião. Por que não faria o mesmo por você, meu querido?

– Quem é o jovem Esquil? perguntou o garoto.

– Esquil era um jovem fidalgo cujo pai mandou estudar noutra cidade. Só que em vez de estudar, o garoto entregou-se a todo tipo de devassidão. Um dia adoeceu e próximo da morte, teve a seguinte visão: Estava num quarto em chamas e conseguiu escapar por um fresta que deu num imenso castelo. Sondou o lugar e em uma das salas viu Nossa Senhora. Imediatamente a Santa Virgem reconheceu a aura de pecado do jovem e mandou-lhe retornar ao fogo. Então o jovem, retirando-se do aposento, começou a implorar para a Virgem e aos que lá estavam. Pedia alguma recomendação, qualquer coisa. Maria respondia: esse moço nunca me honrou e nem ao menos endereçou-me uma “Ave Maria”. Mas as pessoas ao redor ajudaram-no: “Ele vai se corrigir, minha senhora”, diziam. O garoto aproveitou-se do argumento e usou-o. Disse que se corrigiria e se consagraria a todo o serviço em favor das coisas do céu. 

– O que você acha que ocorreu, meu rapaz?

– Com toda certeza, Nossa Senhora aceitou as promessas.

– Sim. Ela aceitou. Assim que ele prometeu emendar-se e dedicar-se às coisas do céu, Maria mudou a feição, tornou-se meiga e disse-lhe, com brandura, aceitar a promessa, livrando-o do inferno e da morte. Esquil retomou a vida e mais tarde tornou-se arcebispo de Lund, na Suécia, onde converteu muitos e ganhou a admiração de ninguém menos que São Bernardo.

– Uau! Que desfecho, Mestre. Acha então que Maria pode ter me perdoado?

– Se perdoou o jovem que nunca rezou uma “Ave Maria”, que dirá daquele que a pronuncia todos os dias? Escute meu menino, a própria Virgem revelou a Santa Brígida: “Por mais culpado que seja um homem, se vem a mim com sincero arrependimento, estou sempre pronta a acolhê-lo. Não considero a enormidade de suas faltas, mas tão somente as disposições do seu coração. Não recuso ungir e curar as suas feridas, porque me chamo e realmente sou, Mãe de misericórdia”.

– Maria é tão misericordiosa que sinto vergonha ao duvidar de sua capacidade de perdoar um pecador como eu, disse o rapaz.

– Sua confiança deve se fortalecer a ponto de tornar-se uma “rocha” de convicção. Só aí poderá compartilhar as palavras de São Bernardo: “Ainda que me dê a morte; cheio de confiança desejo morrer perante uma de suas imagens, e salvo estarei”. E poderá dizer sem medo: “Ainda que me rejeiteis e me tireis a vida, não perderei a confiança”. Com essa confiança na redenção de Maria, conduza sua trajetória e não perca o elo que o conecta com ela: O Santo Terço. Aliás, meu amigo, como anda sua prática?

– Como lhe disse, Mestre, tenho sentido certo progresso e digo isso porque sinto que Maria cada vez mais ocupa espaço na minha vida.

– Isso é uma grande coisa, menino. Conte-me mais. Como tem meditado?

– No começo me habituei com o som agradável e cadenciado da oração e a pronúncia bem trabalhada e sem ansiedade, como o senhor ensinou. Depois, adicionei os mistérios. Agora, além dos mistérios, costumo lembrar-me das histórias de Nazaré.

– Muito bem. Muito bem. Deve continuar, menino. Não pare até que lágrimas escorram dos seus olhos e seu coração encha-se de uma mistura de júbilo, saudade e ternura. Se não houver sintomas, é sinal de que seu terço não tem sido frutuoso. Como disse João Paulo II: “elevando o espírito à altura do Paraíso, fazendo-nos reviver a experiência do Tabor”. Esse caminho ao Tabor traz sinais. Quanto mais alto vai, mais coisas é capaz de ver e sentir.

– Ainda não tive nenhuma reação igual, Mestre.

– Continue meditando com atenção exclusiva e ardente desejo de juntar-se a Maria, José e Jesus. Não deve parar enquanto não se aproximar da meta. Não descanse. Continue aplicando-se pois a vida é breve e poderá perder a oportunidade. 

– Obrigado, Mestre. Sou muito grato ao Senhor pelas sábias palavras de incentivo. Saio do nosso encontro com as esperanças renovadas. 

Se você perdeu a primeira parte do artigo “Sou pecador. Posso me juntar a Maria?”, acesse por aqui Mas se já viu e quer se dedicar ao terço, não esqueça de ver essas dicas

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