Maria na Bíblia

O devoto estudioso tem na Bíblia seu principal instrumento de entendimento do papel de Maria no caminho da salvação.

O processo de ler e refletir mantém o intelecto absorto na lembrança de Maria e das coisas divinas e a mente gradualmente deixa as paixões do mundo.

A Bíblia começa em gênesis, a criação, e nos conduz até o Apocalipse, a destruição. É um ciclo completo. Ela narra a peregrinação do homem pelo tempo, começando com a queda do primeiro humano e segue com Noé, Abraão, Moisés, Isaque, até chegar em Maria e em Cristo, o fim da jornada espiritual humana e o retorno ao estado antes da queda. 

A Bíblia fala dessa jornada, desde o deserto dos perigos, servidão, mortes, doenças, impérios que caem, impérios que se levantam, teorias, poder, vingança, paixões, até o sacrifício de si mesmo, quando morremos para o velho “eu” e revivemos em Deus, a exemplo de Cristo. Ressuscitamos! Matamos o velho homem e vivemos a vida divina na nova Jerusalém, a terra incorruptível, não sujeita ao tempo, às ansiedades e aos medos.

E Maria tem um papel nisso tudo. Se Cristo é o redentor e único mediador, Maria contribui de forma única por todo esse caminho árido e os estudiosos da Bíblia explicam porque.

A história de Maria é a História da Mulher na Bíblia

E a história da mulher começa em Gênesis, com Adão e Eva.

Gênesis

Desde os cristãos mais antigos, que conviveram com os apóstolos ou com os seguidores dos apóstolos, há um entendimento comum: Jesus é o novo Adão e Maria é a nova Eva.

E a explicação está na razão da queda. Eva comeu o fruto da desobediência e assim separou-se da vontade de Deus e abriu-se à morte. Mas Maria veio como a mulher que pela obediência à Deus, quebrou a cadeia da desobediência de Eva e trouxe a vida eterna em Cristo. Por isso São Jerônimo diz: “A morte por Eva, a vida por Maria”. 

Maria não viveu pra si, mas pra servir à Deus do começo ao fim. E por isso se diz que ela é a Nova Eva, ou seja, a mulher que veio resgatar o erro da primeira mulher. Por isso o Senhor disse à serpente logo em seguida ao primeiro pecado: “Farei reinar a inimizade entre ti (serpente) e a Mulher (a Nova Eva, Maria), entre a tua descendência e a dela” (Gn 3,15). 
O primeiro descendente da Mulher é Cristo, os outros somos nós. 

O Profeta Isaías

O tempo passou e o povo se espalhou pela terra. Novos grupos, novas cidades e novas funções. Em Israel houve um profeta revolucionário chamado Isaías. Muito sábio e respeitado, revelou muita coisa e dentre elas, previu (Isaías, 7:14) a vinda de um homem, que se chamará Emmanuel (Deus conosco), nascerá de uma jovem mulher, uma virgem (no hebraico: ha´almah), e será o salvador do povo em agonia. Embora uns acreditem que Isaías falava de outro enviado, Cristãos crêem que Jesus é o predito por Isaías e Maria é a moça nova e virgem que o traria à terra.

Maria na Bíblia e o Evangelho de Lucas

Mais de setecentos anos depois da profecia de Isaías, Jesus nasceu. 
E nessa hora o estudante mariano vai se atentar a um evangelho em especial: o de Lucas. E dentro do evangelho de Lucas, três episódios merecem mais atenção: A anunciação, o Magnificat e a profecia de Simeão.

A Anunciação

Na anunciação (Lucas 1.26), três pontos merecem destaque: 1. A virgindade de Maria; 2. O Sim de Maria e 3. A gestação do corpo de Cristo e da igreja.
Sobre a virgindade, há vários elementos que estudaremos em outra ocasião, mas resumidamente, os estudiosos chegaram a conclusão que Maria foi sempre virgem. Sempre! Santo Agostinho, por exemplo, disse que Maria respondeu ao anjo que não conhecia homem nenhum. e disse isso antes de saber que o filho seria o Messias. Para o doutor da igreja esse fato demonstra que a virgindade era pra ela um princípio e não uma condição.

Sobre o “sim” de Maria (também chamado fiat), os estudiosos comparam com o “não” de Eva. Enquanto Eva disse “não” a uma ordem divina, Maria disse “sim” e cumpriu a missão dada por Deus. Por isso é chamada de Nova Eva.

E sobre a gestação e nascimento, estudiosos afirmam que nasceu ali não só Cristo “a cabeça da igreja”, mas todo o seu corpo místico: nós, os devotos. Santo Agostinho diz: “Maria é mãe natural da cabeça e mãe espiritual dos membros”; Ou então Santo Alberto Magno: “Maria gerou um só filho natural, no qual regenerou espiritualmente todos os filhos, porque o Senhor uniu-nos a si, nas entranhas da Virgem”.

O Magnificat – Lucas 1.46

A segunda parte importante do evangelho de Lucas na Bíblia é o “Magnificat, a canção de Maria”: as palavras de Nossa Senhora à sua prima Isabel. 

Logo após o anjo Gabriel anunciar a gravidez e comunicar que sua prima também esperava um filho, Maria percorreu mais de cento e vinte quilômetros para ajudá-la durante a gestação. 

Ao vê-la, Isabel pronunciou a célebre frase: “Bendita és tú entre as mulheres e bendito é o filho do vosso ventre”. A resposta de Maria em dez estrofes, é o Magnificat. São João Eudes escreveu um livro destrinchando cada uma delas e com certeza mais pra frente escreveremos sobre isso.

O Profeta Simeão – Lucas, 2.34

Ainda no evangelho de Lucas, tão importante quanto os demais episódios foi a palavra de Simeão quando Maria e José foram apresentar Jesus no templo de Jerusalém. Na profecia, o velho sacerdote exaltou o menino, abençoou-os, mas noticiou o que de terrível haveria de vir: À Maria, disse: uma espada atravessaria sua alma. 

As Bodas de Caná – Lucas, 2.34

Chegamos ao primeiro milagre de Jesus: as bodas de Caná. Uma passagem vital para o entendimento do papel de Maria no caminho da salvação e talvez, ao lado da nomeação da maternidade de Maria na cruz, um dos pontos mais importantes da mariologia. 

Além de ser o primeiro milagre, foi a pedido de Maria. Faltou vinho no casamento e Maria insinuou que Cristo poderia ajudar. Ele recusou, mas em seguida cedeu à intercessão da Mãe. Daí veio a noção de mediadora entre Cristo e os homens, que se confirmará na cruz, quando Cristo a nomeou a mãe de seus seguidores.

Maria, a mãe de todos nós – João 19.25

Enfim veio o dia da profecia de Simeão, o dia da cruz. Jesus morreria.
E uma de suas últimas ações foi entregar sua mãe à João. Disse Ele: “Mulher, eis aí o seu filho”. E ao discípulo: “Eis aí sua mãe”. 
A entrega da maternidade a um discípulo representa a entrega da maternidade de Maria à todos os seus discípulos, ali representados por João.  

Além disso, a entrega de Maria aos cuidados de João também contraria o entendimento de algumas escolas sobre eventuais irmãos de Jesus. Sobre isso Santo Agostinho argumenta: se houvessem outros filhos, por que Maria não foi entregue a eles e sim a alguém fora da família? Temos um debate interessante sobre isso veja aqui

Pois Jesus outorgou ao seu discipulado sua representante e mediadora, a mulher mais confiável para gerir as coisas do céu: sua própria mãe.

Enfim, o Apocalipse

Chegada a previsão do fim, João relata na Bíblia sua visão do Apocalipse. E no capítulo doze, descreve a Mulher e o dragão.

Uma mulher vestida de sol com a lua debaixo dos pés e diante dela um terrível dragão vermelho de sete cabeças e dez chifres. Ela dá a luz a um filho homem que “governaria todas as nações com cetro de ferro”.
A mulher de Apocalipse também foi chamada de mulher em Gênesis e era o modo que Jesus tratava Maria, sua mãe.

Na própria Bíblia, em Gênesis, o Senhor Deus diz à serpente do egocentrismo: “Porei inimizade entre ti (o demônio) e a Mulher (mesmo termo de apocalipse e de Jesus pra Maria). Entre a tua descendência (do demônio) e a dela (os filhos de Maria: Jesus como cabeça e nós como corpo). 
Pois foi em Gênesis que Deus diz que Eva é a mãe de todos os viventes (3:20) e Jesus confirma na cruz quando perto da morte a entrega à nós. 

Já viu algum debate entre um mariano e outra pessoa adepta de outra linha? clique aqui para conhecer

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