Reflexões de cada uma das sete dores de Maria

as 7 dores de Maria
as 7 dores de Maria

Por São Afonso de Ligório. Essa é uma coleção de reflexões de cada uma das sete dores de Maria, que se estenderá por mais de um artigo. Cada artigo representará uma dor, então no total serão sete artigos. Fique atento, inscreva-se no site para receber notificação e prepare-se para sentir pelo menos um milésimo de um fragmento minúsculo do que Maria sentiu. Boa leitura.

Primeira reflexão das sete dores de Maria: Profecias de Simeão

Neste vale de lágrimas o homem nasce para chorar. Deve padecer e suportar os males que lhe sobrevém cada dia. Entretanto, muito mais infeliz seria a vida se cada um soubesse os males futuros que o esperam. Desgraçadíssimo seria aquele a quem tocasse tal sorte, disse Sêneca. Usando de misericórdia conosco, oculta-nos o Senhor as cruzes vindouras. Quer que só uma vez as padeçamos, à hora e momentos certos. Não usou entretanto da mesma compaixão com Maria. Destinara-a para a ser Rainha dos mártires e em tudo semelhante a seu filho. Devia por isso sofrer continuamente e ter sempre diante dos olhos as penas que a esperavam. E elas eram a paixão e morte do seu amado filho.

1- Nas palavras de Simeão, reconhece Maria os pormenores da Paixão de Jesus

Eis que São Simeão recebe em seus braços o Menino-Deus, e prediz a Maria que aquele filho será objeto de contradições e perseguições dos homens “Eis aqui está posto este Menino como alvo a que atirará a contradição: e uma espada transpassará até a tua alma” (Lc 2,34 – tradução pela obra “Glórias de Maria”).

Disse a Virgem a Santa Matilde que a esse vaticínio se lhe mudou toda alegria em tristeza. Efetivamente, como foi revelado a Santa Teresa, a bendita Mãe sabia dos sacrifícios que seu Filho devia fazer da vida para a salvação do mundo. Mas naquele momento, de um modo mais particular e distinto, conheceu as penas e a cruel morte, reservadas a seu pobre Filho no futuro.

Conheceu, então, que o havia de contradizer, e contradizer em tudo: em sua doutrina, porque, em vez de nele crerem, o haviam de condenar como blasfemador, por ter dado testemunho da divindade. Pois não disse o ímpio Caifás: ele blasfemou contra Deus; é réu de morte? (Mt 26,65).

Contradizê-lo na honra e na estima, porque, apesar de sua nobre e real estirpe, o desprezaram como vilão: Porventura não é ele o Filho do carpinteiro? Não é sua mãe essa, que é chamada de Maria? (Mt 63,55). Sendo Ele a própria sabedoria, foi tratado como ignorante: Como sabe este as letras, não tendo aprendido? (Jo 7,15). Foi escarnecido como falso profeta: E vendavam-lhe os olhos, davam-lhe na face, o interrogavam, dizendo: Adivinha quem foi que de teu? (Lc 22,64). Chamavam-no de louco. Muitos diziam: Perdeu o juízo; porque o estais ouvindo? (Jo 10,20). Disseram-no ébrio, glutão, amigo dos vinhos: Eis o homem, glutão, que bebe vinho e faz amizades com publicanos e pecadores (Lc 7,34).

Espalharam que era feiticeiro: É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa demônios (Mt 10,34); que era herege e endemoniado: Não dizemos nós bem que tu és samaritano e que tens um demônio? (Jo 8,48,52). Em suma, Jesus foi apontado por celerado tão notório, que nem se precisava processo para condená-lo. Pois não disseram os judeus a Pilatos: se este não fosse malfeitor, não o entregaríamos (Jo 18,30). Sofreu também contradição na alma. Até o Eterno Pai para satisfazer a justiça divina o contrariou, desatendendo-lhe o pedido: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice” (Mt 26,39). No excesso do seu sofrimento, chegou a suar sangue.

Contradisseram e perseguiram-no, enfim, no corpo e na alma. Basta dizer que foi ele martirizado em todos os seus membros sagrados: nas mãos, nos pés, no rosto, na cabeça, em todo corpo, e finalmente morreu consumido pelas dores, já sem sangue e coberto de opróbrios, sobre um madeiro infame.

2- Maria sofreu sempre à vista de seu Filho

O profeta Natã comunicou a Davi o castigo pelo pecado cometido: Morrerá certamente o filho que te nasceu (2Rs 12,14). Desde então, não pôde o rei já encontrar descanso no meio de todas as delícias e grandezas reais. Chorou, jejuou e deitou-se na terra nua. Maria, pelo contrário, recebeu com suma paz a profecia sobre a morte do filho, e continuou a sofrer sempre em paz. Mas, vendo sempre diante dos olhos aquele amável filho, que dor padeceria então continuamente! Não o ouvia sempre pronunciar as palavras da vida eterna? Não era contínua testemunha da santidade de todos os seus atos?

Grande foi o tormento de Abraão durante os três dias de jornada para o monte Moriá, com seu amado Isaac , ciente de que ia perdê-lo. Entretanto, ó Deus, não três dias, mas trinta e três anos, sofreu Maria pena semelhante. Semelhante, digo? Não; tanto maior quanto mais amável era o seu filho, que o de Abraão. Maria revelou a Santa Brígida não ter vivido um momento na terra, em que não fosse dilacerada por essa dor. “Sempre que via meu filho, dizia a Virgem, sempre que o vestia, que lhe olhava as mãozinhas e os pés, abismava-se novamente minha alma no sofrimento, porque me lembrava da Paixão que o aguardava”.

O abade Roberto contempla a Mãe, aleitando o filho e dizendo-lhe: O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra (Ct 1,12). Ah! Filho meu, aperto-te em meus braços porque és muito querido. Porém, quanto mais me és querido, mais te tornas para mim um ramalhete de mirra e de dores, ao lembrar-me de tuas penas.

Considerava a Senhora, diz São Bernardino, como seu Filho, a fortaleza dos santos, seria reduzido à agonia; sendo a beleza do paraíso, ficaria desfigurado; sendo Senhor do mundo, seria preso como um réu; sendo Criador do universo, estaria coberto de chagas; sendo Juiz dos Juízes, sofreria condenação; sendo glória do céu, ouviria desprezos; sendo Rei dos reis, levaria uma coroa de espinhos e um irrisório manto de rei de comédia.

Apoiando-se numa revelação de Santa Brígida, diz o Padre Gelgrave, jesuíta, que a aflita Mãe sabia de todos os pormenores das penas preparadas a seu filho. Ao dar-lhe de beber, pensava no vinagre e no fel que lhe haviam de oferecer. Ao envolvê-lo em faixas, já em mente antevia as cordas de sua prisão. Ao carregá-lo nos braços, recordava a cruz de sua crucificação. Ao vê-lo dormindo, lembrava-se do sono da morte que o esperava.

“Cada vez que vestia a túnica ao meu filho, disse a Virgem a Santa Brígida, pensava que um dia lhe arrancariam violentamente para crucificá-lo. Quando lhe contemplava as mãos e pés, parecia-me ver os cravos, que os haviam de transpassar. E isso contemplando, aljofravam lágrimas aos meus olhos e acerba dor invadia-me a alma.”

3- As dores de Maria aumentou com a crescente amabilidade do filho

De Jesus afirma o Evangelho que, como em anos, ia crescendo também em graça, diante de Deus e dos homens. “E Jesus crescia em sabedoria e em idade e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52). Crescia em graça e sabedoria perante os homens, isto é, na opinião deles. Perante Deus, porém, neste sentido o explica São Tomás: As ações de Jesus teriam servido para lhe aumentar cada vez mais o mérito, se a plenitude da consumada graça não lhe tivesse sido conferida desde o princípio, em razão da união hipostática. Ora, se Jesus crescia em estima e amor para os homens, quanto mais então para a sua Mãe Santíssima! Mas, ah! com o aumento do amor, mais aumentava a sua dor, à só lembrança de perder esse filho por uma tão cruel morte. E quanto mais se avizinhava o tempo da Paixão, mais cruelmente a espada, predita por Simeão, atravessava o coração materno de Maria. Assim revelou o anjo a Santa Brígida.

Se, pois, Jesus e sua Mãe Santíssima não recusaram sofrer por nosso amor pena tão atroz, durante a vida toda, não é justo que nos queixemos em nossos pequenos padecimentos.

Jesus crucificado apareceu, certa vez a Sóror Madalena Orsini, dominicana, experimentada, havia muito tempo, pela tribulação. Animou-a a ficar com Ele na cruz, suportando aquele sofrimento. Mas ela respondeu: Senhor, só penastes na cruz por três horas e eu já sofro há muitos anos. Então o Redentor replicou: Mas como falas com ignorância! Desde o primeiro instante em que fui concebido, sofri no coração tudo quanto depois, ao morrer, padeci na cruz – Quando, pois, sofrermos qualquer tribulação e quisermos nos queixar, imaginemos que Jesus e Maria nos dão a mesma resposta.

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