O sanguinário e a Aparecida

aparição de Nossa Senhora Aparecida
aparição de Nossa Senhora Aparecida

Poucos conhecem a história por trás da pescaria onde Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em Itaguaçu e como um homem sanguinário e traiçoeiro causou sua aparição. Segue a leitura até o fim porque tem lições importantes por trás dessa história real.

O homem sanguinário

Em 24 de julho de 1717 desembarcou no Brasil um homem chamado Pedro de Almeida Portugal. A missão desse português era governar as terras brasileiras, extrair ouro e punir malfeitores. 

Se era para explorar ouro, o recém chegado conseguiu, pois num único ano chegou a arrecadar ao Rei Dom João, 25 toneladas do metal que era despachado por navio para Portugal.

A viagem ao Brasil começou pelo Rio de Janeiro. Por onde passava, o Senhor Pedro de Almeida recebia todas as honrarias. Em uma das cidades descreve-se que foi recebido por “24 escravos bem vestidos, duas trombetas e salvas de tiros”. Em seguida o governante seguiu o rumo por Parati, Bertioga, subiu a serra para São Paulo, foi condecorado,  nomeado Governador e partiu para Minas Gerais. No caminho passou por Taubaté (que na época era mais populosa que São Paulo), depois Pindamonhangaba e enfim, a vila de Guaratinguetá.

Pedro de Almeida, mais tarde conhecido como Conde de Assumar foi um homem impiedoso que condenou muitos a morte (dizem que inocentes também), conhecido como rígido coletor de impostos. “Um governador sanguinário e traiçoeiro que defendia os interesses do rei de Portugal, mesmo que para isso fosse preciso enganar o povo ou cortar as pernas de escravos fujões”.

E o que tem a ver o homem sanguinário com a aparição de Nossa Senhora Aparecida?

Pois foi com a sua chegada a Vila de Guaratinguetá que a nobreza da região mandou preparar um suntuosíssimo jantar de recepção ao Conde e por isso ordenou que os pescadores fossem ao Rio Paraíba pescar a maior quantidade de peixes que poderiam carregar. E foi nesse dia, por causa do governante impiedoso, que foi encontrada, para a nossa felicidade, amor e gratidão, a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, mais tarde chamada carinhosamente apenas de Nossa Senhora Aparecida.

E muitos não sabem até hoje que foi tudo por causa do homem impiedoso.

E o que podemos aprender com essa história real? Listamos nove interessantes lições.

1. Que o poder divino usa pessoas de todos os caracteres para compor sua trama na terra;

2. Que não podemos julgar os outros porque mesmo os maus cumprem algum papel que não entendemos ou não enxergamos;

3. Que aos olhos de Maria, todos são igualmente seres com potencial;

4. Que curiosamente uma pessoa maldosa fez mais pela humanidade (mesmo sem intenção) que muitos que se dizem devotos mas não agem nesse sentido;

5. Que devemos amar a todos, independente de seu caráter, como Cristo fez, porque todos podem estar desempenhando um papel nos planos de Deus;

6. Que pessoas maldosas, por vezes, podem forjar santos, como a história nos conta sobre homens que fortaleceram suas fés graças a ações de pessoas de personalidades difíceis, cuja presença foi indispensável para o santo alcançar seu alto patamar;

7. Que tudo é arranjo da providência divina. Podemos não entender no instante em que os fatos acontecem, mas mais tarde nos surpreendemos com a necessidade daquela presença do antagonista para produzir os resultados que se deram;

8. Se Judas não tivesse feito o que fez, não teríamos o resultado que tivemos. Se Pilatos não fizesse o que fez, não teríamos a obra completa da salvação. Então vamos condená-los ou vamos entender que, apesar de errados, fizeram parte e foram escolhidos para o enredo divino? (Por isso nunca fui a favor da malhação de Judas nas festas tradicionais);

9. Por fim, podemos aprender que desde a queda de Lúcifer, vemos que aqui, na terra dos opostos, o lado “obscuro” sempre existirá. Pois se existe em algum grau dentro de nós mesmos, porque não haveria de existir dentro dos outros?

Agora vale uma consideração

Isso não significa que vamos passar a concordar com os maus exemplos. Continuaremos ao lado da justiça e nosso dever é sempre mostrar o lado bom. Mas podemos aprender a lidar com os desafios (e pessoas difíceis) com resignação, sabendo que a ignorância sempre vai existir. Não podemos nos esquecer da lição do nosso Mestre ao perdoar seus carrascos: “Perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. 

A paz que vem da aceitação da existência desse tipo de personalidade, é a paz que precisamos pra seguir adiante, evoluir e avançar no caminho espiritual, caso contrário, ficaremos estagnados se lamentando do mal no mundo e atrasaremos nossa própria caminhada.

Sigamos em frente filhos e filhas de Maria, sem se lamentar. Analisemos sempre a nós mesmos, procurando emendar-nos e melhorarmos a cada dia e deixemos que Deus cuide dos outros e de suas atitudes. Tratemos isso como um exercício constante de doutrinação do próprio pensamento. 

E sempre lembremos dessa história: por trás de uma pessoa aparentemente má, pode haver o resgate de Nossa Senhora nos rios das nossas vidas.

Paz de Maria!

O artigo “O sanguinário e a Aparecida” é parte da Via filosófica e acadêmica. Para ler mais artigos acadêmicos, acesse esse link —- Fonte do texto contando a história da aparição: Aparecida, de Rodrigo Alvarez.

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