A Via da Doçura

Doce Maria
A via da doçura de Maria

“Maria não é soberana, mas servidora. Não é meta, mas caminho. Não é semideusa, mas a pobre de Deus”, disse Padre Larranaga. Talvez isso ajude a explicar a Via da Doçura da Mariologia.

Parece contraditório. Pela via da reverência, Maria é Rainha, Soberana e Toda-poderosa. Incontáveis devotos a tratam assim. E agora aparece essa outra face de Maria: a humana, a pobre de Deus.

Mas não são duas pessoas diferentes. O que muda é o tratamento que se dá a ela. Cada devoto tem um modo particular de interagir: uns preferem vê-la com luxo e opulência, já outros gostam da via da doçura e da simplicidade e não é possível dizer que um caminho é melhor que outro, mas trata-se muito mais de uma fluência natural que parte sem esforço da opulência à doçura.

A reverência é uma primeira aproximação. Com o tempo e prática, o amor se intensifica e o objeto da devoção torna-se mais familiar, daí vem a intimidade, a identificação e a proximidade.

Nessa relação íntima toda divindade é esquecida. Como diz Santo Agostinho: “Ó fraqueza manifesta! Ó humildade maravilhosa, onde toda a divindade permanece oculta”. O afeto, o carinho e a alegria compartilhada faz-nos esquecer da divindade do amado e a convivência passa a ser espontânea e natural, como Maria que por diversas vezes se esqueceu que seu filho era o Filho de Deus, e temeu algum mal contra ele ou lhe deu broncas quando criança. Pois como daria broncas no próprio Deus em forma humana, a não ser pela visão coberta pelo amor?

Maria é simples. E não nega sua simplicidade mas antes reivindica o próprio anonimato, pois apesar de ser mãe do salvador, diante de Gabriel disse “eis a serva do Senhor” e nunca exigiu qualquer notoriedade. Por isso São João Eudes escreve: “Eis o milagre dos milagres: é que, sendo tão grande quanto é, Ela se considera como se nada fosse”.

E é deste modo que nos aproximamos da família. De igual pra igual porque o amor nos permite. E isso não é nenhuma heresia. Jesus continua sendo Jesus e Maria sendo Maria. Ambos divinos e nós meras almas errantes, mas o amor (e só o amor) é capaz de gerar tal identificação e proximidade, como se vivêssemos a mesma vida deles, com eles. Como se fôssemos um deles e talvez assim seja no céu, porque Jesus disse: “esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Santa Teresa do Menino Jesus ilustrou bem essa via da doçura. Disse ela:

“O que me faz bem quando penso na sagrada família é imaginar uma vida totalmente ordinária. Em um sermão sobre a Santíssima Virgem, para produzir fruto, é necessário que se conheça sua vida real. Nos mostram a Santíssima Virgem inacessível mas seria necessário apresentá-la imitável, praticando as virtudes e vivendo de fé como nós”.

E para nos tornarmos assim tão próximos e familiares, devemos conhecê-los como nenhum outro. Temos que procurar saber cada detalhe de suas vidas e só assim a relação pode tornar-se mais doce e próxima e então o amor aumentará e o êxtase também.

Formas de se aproximar

Há tantas formas de se aproximar de Jesus e Maria. Pode ser por uma relação de amizade ou parentesco. Os tipos de relações são variados e de acordo com o desejo e pureza do devoto.

Mas cada relação revelará novos sentimentos, como em qualquer relação. Brigas, alegrias, risos, gargalhadas, surpresas, raiva, ansiedade, cumplicidade, todos os sentimentos e comportamentos são possíveis numa relação íntima e espontânea.

Papa Francisco disse recentemente que ouvia pessoas confessarem que brigavam com Deus. “Isso não é uma heresia?” perguntavam. Francisco respondia que não, e que era também uma forma de oração porque “só um filho pode se zangar com o pai e depois reencontrá-lo”.

E então, com toda essa doçura crescendo em nossos corações, o sabor doce e terno do amor será sentido. O gosto suave e prazeroso da dependência amorosa, como nos apegos mais familiares. As últimas moradas, como disse Teresa. É o recôndito mais secreto e íntimo da relação com Deus. É a presença incessante de alegria e êxtase e aquele calor na alma que só experimenta quem sabe o que é esse aconchego familiar.

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