A Via Acadêmica

A via acadêmica da Mariologia é o caminho dos sábios.

Santo Agostinho
Santo Agostinho, doutor da igreja

Cada pessoa tem uma inclinação natural. Uns mais contemplativos, outros ativos e ainda outros têm vocação para os estudos filosóficos. Esses últimos trilham a via acadêmica da Mariologia.

Não que tenha de ser uma via em exclusão da outra. Todas podem (e é aconselhado) conviver harmonicamente, até porque devoção sem estudos pode cair em sentimentalismo e estudo sem devoção, na aridez. Mas, claro, sempre há a preponderância de um dos caminhos. Exemplos bem conhecidos de adeptos dessa via é o do teólogo Santo Agostinho, ou ainda mais antigo: São Jerônimo.

Esses sábios usaram seu intelecto a serviço de Deus; pensando, refletindo, debatendo, escrevendo e ensinando. Eles dedicaram horas dos seus dias debruçados em obras literárias e nas Santas escrituras.

As atividades nesta via acadêmica da mariologia são várias, mas dentre as principais estão:

Estudo da etimologia

O sábio dedica-se a entender o motivo do uso de uma palavra ao invés de outra. É um estudo muito prazeroso pois em cada palavra há um arsenal de possibilidades, por exemplo: Na Cruz, Jesus disse “Tetélestai” que significa “Está consumado”. Os estudiosos foram atrás da origem da palavra e descobriram que essa expressão grega era bastante usada na época por servos que terminavam seus serviços e se apresentavam aos seus senhores confirmando o fim do trabalho.

Estudo dos Contextos pela via acadêmica

Também muito agradável entender o ambiente da época. Como era a política, os costumes e a cultura local? Tudo isso enriquece o repertório e as meditações e nos aproxima Deles. Faz-nos peregrinar, ainda que mentalmente, por onde Jesus e Maria andaram e o que enfrentaram. 

Estudo dos Significados ocultos 

Por mais que muitas pessoas admirem o significado literal das passagens bíblicas, não se pode negar que Jesus pregou através das parábolas, que por si só, já não é literal. Fora isso, desde o antigo testamento, as escrituras estão cheias de significados paralelos. Santo Agostinho interpretou muitas dessas simbologias. Por exemplo, de acordo com ele, a fonte que brotava da terra e regava toda a sua superfície (gênesis 2,6), é o Espírito Santo, e a terra, a matéria prima virginal, aguada pelo espírito santo para a formação dos homens, era o que mais tarde seria a Virgem, que deu forma ao Salvador. Além dessa, há muitas outras analogias muito bonitas como: a mulher do apocalipse, a nova Eva e a arca da aliança. Todas essas falaremos aqui em algum momento.

Debates, comparações e defesa. 

Estudiosos geralmente são muito hábeis em destrinchar argumentos, debater e mostrar através da própria escritura seus pontos de vista.

Santo Agostinho chegou a publicar uma coleção de 33 livros, chamada “contra faustum”, refutando todos os ensinamentos do bispo maniqueu. Agostinho disse: “Fausto ultraja a lei, os profetas e a seu Senhor, ao afirmar que os escritos do Novo Testamento foram falsificados”. 

Bem, a quem tenha naturalmente essa vocação filosófica e literária, indica-se que se aproxime do Senhor por essa via. Mergulhe nos estudos, leia, reflita, tente entender, faça cruzamentos de ideias e textos. Assim o intelecto estará ocupado nas coisas do céu e conseguirá, com isso, agradar a Deus e aos irmãos.

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