Maria é deusa?

Maria é deusa?
Maria é deusa?

Esse é um tópico muito importante para entendermos Maria.

Antes de tudo precisamos entender que Maria é uma alma muito especial, a mais pura e inocente criatura que esteve na terra e não por outro motivo foi a escolhida de Deus. Mas não é deusa, como ela mesma preferiu não ser, e é isso que vamos esclarecer.

Excessos no culto Mariano são muito antigos. De quase todas as épocas. Maria foi, não poucas vezes, situada no Panteão das Deusas” afirmou José Paredes, em sua obra sobre Mariologia.

Mas de onde veio esse culto a Maria como deusa?

Antes da vinda de Jesus, cultos a deidades femininas já existiam no mundo todo.

Em Cártago, por exemplo, havia um templo erguido para a Rainha do céu, Dea caelestis.

Também houve a deusa-lua Tanit, sob o poder dos fenícios, considerada a força vital e protetora da cidade. Depois da destruição de Cártago, os Romanos revelaram uma nova deusa: Juno caelestis que era servida por sacerdotes e sacerdotisas. Santo Agostinho e São Cipriano foram alguns dos que criticaram fortemente o culto a deusa, até que no ano 399 DC o templo tornou-se igreja cristã, embora muitos, incluindo cristãos, continuaram idolatrando caelestis.

No Egito havia a popular Íris, cuja idolatria exigia sacerdotisas e haviam festivais a ela também. Em Roma existiu Cibele, de origem muito antiga, talvez milhares de anos antes de Cristo, cuja imagem foi cultuada também pelos romanos. Cibele era o símbolo da mãe terra. Seu culto envolvia danças frenéticas e transes musicais. Alguns seguidores chegavam a castrar-se e vestir-se de mulher para melhor se assemelhar e servir a Deusa. Eram os gallis.

Então veio Maria de Nazaré e Jesus

Um dos primeiros que fizeram a associação entre a deusa feminina e Maria foi os montanistas. O nome da linha filosófica veio do fundador, Montano, ex-sacerdote de Cibele, convertido ao Cristianismo. De acordo com a seita, Eva era cultuada, assim como Maria irmã de Moisés e as quatro filhas de Filipe, profetisas e virgens. Mas no posto mais elevado estava Maria, mãe de Jesus. Esse culto montanista ao feminino pode ter dado origem a comparação entre Eva e Maria que perdura até hoje, pois Santos como Justino e Irineu tiveram contato com a seita e foram um dos primeiros teólogos a compararem ambas.

Além dos montanistas haviam também os coliridianos, testemunhados por Santo Epifânio, cujos adeptos ofereciam sacrifícios à Santíssima Virgem numa espécie de Mariolatria.

Como disse José Garcia Paredes, “O povo precisa se encontrar com Deus sob um rosto feminino. Isso faltava ao Cristianismo. E Maria podia naqueles tempos cumprir essa função”. Tanto que no concílio de Éfeso, Maria foi declarada pela igreja a Mãe de Deus (Theotokos) e o povo vibrou e festejou a nomeação com festivais e comemorações pelas ruas e vilas da cidade.

Mas será que Maria desejava ser cultuada como deusa?

Parece que não. Ao Anjo Gabriel Maria deixou claro seu papel: serva de Deus. (Lucas 1:38). Em toda sua vida, Maria serviu Jesus com humildade, rendição e incondicionalidade. Tanto que mesmo sendo quem era, mãe de Cristo, saudada e elogiada pelo anjo de Deus, bendita entre todas as mulheres, nunca reivindicou posição superior ou qualquer distinção. Pelo contrário, mantinha-se longe da popularidade para poder servir melhor aos propósitos de Deus e de seu filho Jesus Cristo.

E o que dizem os Santos e Sábios?

São João Eudes disse: “Eis o milagre dos milagres: é que, sendo tão grande quanto é, Ela se considerava como se nada fosse”. E Larranaga completou: “Maria não é soberana, mas servidora. Não é meta, mas caminho. Não é semideusa, mas a pobre de Deus”. Nesse sentimento, Santa Teresa de Lisieux, no último mês de maio de sua breve vida, escreveu: “Se te contemplasse na tua sublime glória, que de muito ultrapassa a luz dos eleitos, não poderia acreditar que sou a tua menina, Maria, e diante de ti baixaria os olhos”.

Interpretando essa comovente passagem de Santa Teresa, Ângelo Cardeal comentou: “para que uma criatura possa dar-se toda à mãezinha, é preciso que ela chore conosco e divida nossas dores” por isso olhamos pra Maria e pensamos: “não me é difícil acreditar na tua criatura, porque vejo-te mortal e sofredora como eu”.

E era mesmo uma mulher comum, que chorou e sofreu como nós, como Francisco disse: “viveu como uma mulher comum da sua época: rezava, ocupava-se da família e da casa, frequentava a sinagoga”, mas com uma única diferença que a tornava extraordinária: “qualquer ação diária era sempre realizada por ela em união total com Jesus”.

Mas se não é deusa, como age Maria?

Dando Cristo as pessoas. Maria é a geradora do Cristo. Esse é o significado oculto da visita à Isabel. Ela levou Cristo à casa da prima. E de acordo com Santo Agostinho, Maria continua gerando Cristo em nós, todos os dias, mediante nosso sim, como ela o fez.

Larranaga disse: “Maria, acima de tudo, é a Mãe que continua dando à luz Jesus Cristo em cada um de nós”.

Por isso o Papa Francisco insiste tanto na importância da imitação das virtudes de Maria, porque ela, de acordo com o Pontífice, é a “primeira discípula de Cristo” a quem “gerou, hospedou e o entregou”.

E por que é importante ter essa concepção bem clara?

Porque Maria, apesar de ser distinta de todos nós por sua classificação, um “oásis sempre verde da humanidade”, como diz Francisco; é também acessível e poderia, por sua personalidade, preferir estar entre nós do que residir em palácios, servida por milhões de servos com toda pompa e requinte que o cargo lhe traz.

Da mesma forma, vê-la como deusa do Universo ou “Mãe Terra” só tornaria Maria mais distante, pois o caráter abstrato a afastaria do propósito pessoal da relação próxima tão querida pelos devotos.

Mas não tenhamos pressa. Se ainda concebemos a Virgem unicamente como Rainha do Céu e da Terra, Senhora dos exércitos, poderosa e majestosa, cercada de mil anjos e arcanjos, não há necessidade de rejeitar essa visão. Maria também é Rainha, pois entre todas, foi ela a escolhida, mas quem sente no coração e deseja tentar essa outra abordagem mais simples e sem formalidades, ore e peça a Maria que se revele nessa forma doce e pura da humilde virgem de Nazaré. Alimente pensamentos como esse, procure saber mais sobre sua pobre vida simples, porém tão dedicada a Cristo.

Pouco a pouco vamos nos tornando “ambiente” favorável a essa contemplação, se assim desejarmos e com a graça de Cristo e Maria.

Até que, então, nosso coração possa se transformar na própria Nazaré, onde Maria, uma vez dado à luz Cristo em nós, dia após dia possamos vê-lo crescer em “sabedoria, estatura e graça” (Lucas 2:52).

Essa visão de Maria, não deusa mas mulher comum e ao mesmo tempo extraordinária é parte da contemplação pela via da doçura. Se quiser saber mais sobre esse caminho clique aqui

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