Graça que contagia

Graça que contagia
Graça que contagia

O artigo “Graça que contagia” usa a referência da obra de Salvatore “Dicionário de Mariologia”. Diz o autor: 

“Ao honrarem a Cheia de Graça, os cristãos são levados a cultivar em si mesmos o estado de graça, isto é, a amizade com Deus, a comunhão com Ele, a inabitação do Espírito: Esta graça divina impregna todo o homem e o torna conforme a imagem do Filho de Deus”

Esse trecho do dicionário tem um belo significado que vale a pena prestar atenção.

Vamos estudar essa graça que contagia?

Primeiro o autor chama Maria de “Cheia de Graça” e isso não é nenhum mistério, o Arcanjo Gabriel a chamou assim (Lucas 1, 26-38).

Em seguida o autor diz que ao honrar a Cheia de Graça os cristãos cultivam em si mesmos esse Estado de Graça. Mas como será que funciona isso?

Pra entender, precisamos abordar um pouco de conceitos psicológicos, mas vamos usar uma analogia pra ajudar. Nossa mente é como um cristal. O cristal reflete a cor que estiver perto dele. Se colocar um objeto preto, o cristal se tornará preto e se o objeto for azul, o cristal será azul. O mesmo mecanismo acontece com a nossa mente e o que ela contempla. O autor sabia disso quando escreveu essa excelente colocação e isso é muito interessante.

Veja, se uma pessoa entra em contato com alguma influência com atenção e tempo prolongado, aquela influência acabará tornando a mente saturada dessas características. Isso às vezes é muito sutil. Muitas vezes sem perceber estamos reagindo de acordo com aquelas influências. Então, uma pessoa que está acostumada a “consumir” coisas agitadas tem tendência a se tornar mais agitada. Da mesma forma, quem contempla coisas boas, tem tendência a moldar sua mente para o bem.  

Por isso o autor coloca muito bem: ao cultuar a Cheia de Graça, o cristão, o devoto, TAMBÉM se tornará cheio de graça. 

O autor continua com outro efeito de honrar Maria: “a amizade com Deus, a comunhão com Ele, a inabitação do Espírito: Esta graça divina impregna todo o homem e o torna conforme a imagem do Filho de Deus”.

Veja que interessante. Deus é amor e Bem Aventurança Eterna. E se nós contemplamos um objeto ou um sujeito(a) como Maria, que tem essas mesmas virtudes, logo nos tornamos amigo Dele ou em comunhão com Ele, ou seja, nos tornaremos semelhantes a Ele.

Por isso o autor diz que depois dessa graça impregnar a alma do devoto, ele, o devoto, se tornará a imagem de Cristo. Parece impossível né? Mas não é. E Cristo queria isso. Queria que fôssemos como Ele. 

Agora o mais incrível: o papel de Maria nisso tudo.

Ela é mãe, certo? E mãe faz o quê? Gera. Então, se a devoção a Ela gera em nós um estado de graça e com essa graça nos assemelhamos ao filho Dela, então, pode-se dizer que Maria gerou Cristo em nós. Esse é o néctar escondido e a essência de toda a devoção mariana. Não à toa o próprio Salvatore, autor do dicionário, disse em outra ocasião: 

“O objetivo do Magistério espiritual de Maria é o de reproduzir nos filhos as feições espirituais do Filho primogênito”.

Compreendem?

A maternidade divina acontece todos os dias das nossas vidas! Todos os dias Maria tem o potencial de gerar Cristo em nós, mas temos que estar dispostos e preparados. Temos que ter nosso “Fiat”, nosso Sim, a nossa entrega. Sem essa entrega, Cristo não será gerado, não haverá graça e não haverá semelhança com Deus.

Por isso, irmãos e irmãs em Cristo e Maria, continuemos nos dedicando às práticas espirituais sem cessar. Sempre há mais que possa ser feito. A vida está se esgotando. A morte nos espreita. Não há muito mais tempo. Temos que nos esforçar agora mesmo. E isso significa nos empenhar em oração, estudos, caridade, contemplação, cantos, leituras de histórias e companhia de pessoas santas ou elevadas.

Que Maria nos ampare e nos guie. Amém.

O artigo “Graça que contagia” é parte dos estudos da via acadêmica. Para ler mais artigos filosóficos, acesse por aqui

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