Assunção de Maria: tudo que você precisa saber

Assunção de Maria
Assunção de Maria

No dia primeiro de novembro de 1950, o papa Pio XII proclamou a Assunção de Maria nos termos seguintes:

“Anunciamos, declaramos e definimos que: a Imaculada sempre virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi assunta à glória celestial em alma e corpo”.

Mas muito tempo antes de o Papa fazer a proclamação, a assunção de Maria já era festejada pelos povos antigos.

O que dizem os antigos sobre a Assunção de Maria

De acordo com Garrigou Lagrange, nos anos entre 500 e 700 DC já haviam eventos comemorativos da Assunção de Maria no dia quinze de agosto, e isso revela, de acordo com o escritor, que provavelmente eles sabiam, oralmente, o que tinha acontecido anos antes. Talvez algum apóstolo tenha testemunhado, contado pra mais alguém e a história foi passando de geração em geração. São Modesto, por exemplo, em 634 DC, disse algo parecido com a ideia de Garrigou. De acordo com o Santo “os apóstolos vieram de longe e assistiram a Assunção”, assim também disseram André de Creta, João Damasceno e Eutímio.

A presença dos apóstolos durante a assunção também coincide com os evangelhos apócrifos do primeiro século. De acordo com São João (o teólogo) no evangelho “a passagem da Santa Mãe de Deus”, os apóstolos foram levados à Jerusalém, onde Maria se preparava para a passagem. No capítulo 39 do texto encontramos um belo diálogo envolvendo Jesus e Maria momentos antes da partida:

“O senhor dirigiu-se a sua mãe e disse-lhe: Maria. Ela respondeu: Aqui me tens, Senhor. Ele disse-lhe: “Não te aflijas; melhor será que teu coração se alegre e sinta gozo, pois encontraste graça para poder contemplar a glória que me foi dada pelo meu Pai. A santa mãe de Deus ergueu os olhos e viu no filho glória tamanha que inefável é para a boca do homem incompreensível. Então o Senhor disse: Eis que a partir deste momento teu corpo será transportado ao Paraíso (…) onde há paz e alegria própria dos santos anjos e mais ainda”.

O texto também menciona um perfume que exalava do local e a luz que permeava todo aquele lugar.

Em seguida, os apócrifos mencionam que os apóstolos transportaram o corpo de Maria do Monte das Oliveiras ao Vale de Josafá (Vale do Cédron). E no transporte houve até um episódio envolvendo um tal de Ruben que queria derrubar o corpo de Maria e ficou com a mão seca. Então ele implorou àqueles homens que o restituísse a mão em bom estado, e um dos apóstolos orou. O homem se recuperou e converteu-se mais tarde ao cristianismo.

O interessante é que o lugar do Vale do Cédron até hoje pode ser visitado, tendo já passado por várias construções e destruições, mas que de acordo com arqueólogos e especialistas, o lugar realmente remete ao primeiro século, o que coincide com o texto apócrifo.

Nessa pequena gruta de pedras, onde o corpo de Maria foi deixado, dizem os textos que foram ouvidos sussurros de anjos e um perfume forte durante três dias, mas que a partir do terceiro dia não se ouviu mais nada, pois havia sido transportado.

Vamos entender as razões para acreditar na Assunção de acordo com os Sábios

O Papa Leão Magno já dizia em 450 DC que se Eva e Adão tivessem observado a lei que lhes foram dadas, teriam sido conduzidos à glória celestial com o corpo. Para Germano de Constantinopla, o corpo de Maria totalmente santo e casto foi a morada de Deus e por esse motivo esteve isento da dissolução em pó e não havia motivo para não ter subido à glória.

Outro contribuidor foi um pseudo-Agostinho que deu algumas razões para a Assunção. Dentre elas: 1. Maria não compartilhou a maldição de Eva; 2. Maria permaneceu sempre intacta e 3. A carne de Cristo é a mesma carne de Maria, portanto, ambas capazes de ascender.

Garrigou também contribuiu com bons argumentos a favor da assunção. Disse ele que por Ela ser a bendita entre as mulheres, Deus a abençoou e a excluiu de duas maldições: “darás a luz com dores” e “ao pó tu hás de tornar” (Gn 3, 16-19). Portanto, não sujeita a tais males, seu corpo não retornou ao pó.

Um segundo argumento trazido pelo teólogo diz que Cristo venceu o pecado e a morte na cruz. Pelo sofrimento, Ele venceu o mundo (Jo 16:33). E Maria participou do mesmo sofrimento, por amor ao filho, e não faria sentido ela perder para a morte quando co-redimiu a humanidade no calvário. Ela participou do sacrifício e também deve participar do triunfo.

Garrigou também disse: “O amor de Jesus por sua santa Mãe o levou a desejar para Ela esse privilégio”. E Joseph Pitsch usou argumento parecido quando disse que “a mãe de Deus não morreu de doença, mas passou a outra vida consumida pelo fogo de seu grande amor por Jesus e por sua grande nostalgia por ele e pelo céu”.

Qualquer um se indagaria como indagou o frei Francisco de Alverne: “consentiria o meigo Jesus de Nazaré que sua morada puríssima, o céu esplêndido onde por nove meses repousou, a estátua viva esculpida pelo próprio Criador, ficasse nessa terra de exílio?

Parece que não.

E os argumentos a seguir são de Afonso de Ligório:

1. Sendo a morte a pena do pecado e sendo Maria isenta do pecado, logo ela não deveria estar sujeita a padecer como os filhos de Adão; 2. Querendo Deus fosse Maria semelhante a Jesus, convinha que morresse como Ele; 3. A morte é amarga para quem: tem apego, remorso de pecados e incerteza da salvação, mas isso não se aplica a Maria que foi sempre santa, pura e livre de toda sombra da culpa atual e original.

Por isso São Francisco de Assis disse: “Meu Deus e meu tudo! Mas que alma jamais foi tão desapegada deste mundo, e tão unida a Deus quanto a bela alma de Maria?”.

E enfim…

Subiu Maria com Jesus ao Paraíso, como São Bernardino de Sena mesmo disse: “O próprio Jesus Cristo desceu para encontrá-la e acompanhá-la”. E Ligório complementou com poesia: “Vem com alma e corpo, gozar o prêmio de Tua santa vida. Se tens padecido muito no mundo, maior é a glória que te darei”.

E uma vez chegada ao céu, os anjos puderam ter se perguntado: quem é esta que sobe do deserto firmada sobre o seu amado? (Ct 8,5). É a mãe do nosso Rei, a bendita entre as mulheres, a cheia de graça.

Então anjos, santos e apóstolos, assim como Simeão, Zacarias, Isabel, João Batista, todos foram prestar homenagens e saudar a mãe querida, assim disse São Ligório.

Pois se Paulo promete uma “glória imensa que Deus reserva aos que o amam” (1cor 2:9), o que dizer de sua própria esposa e filha?

A lição da Assunção de Maria

Como visto, há diversos elementos tanto históricos como teológicos para apoiar a Assunção de Maria. E por tudo isso e mais, a Igreja firmou o entendimento. Mas tão importante quanto ter conhecimento do fato, é extrair dele alguma lição prática e pôr em ação, e foi isso que fez o Professor Felipe Aquino, quando disse:

“A subida de Maria ao céu é um chamado vibrante a cada um de nós para que vivamos na terra como Ela viveu: simples, humilde, pobre, oculta, silenciosa, discreta, generosa, mansa, bondosa e prestativa, para que sejamos um dia exaltados por termos vivido a humildade”.

Portanto, irmãos em Maria, que possamos nos inspirar na Santa Mãe de Jesus, nossa amada Senhora, para que um dia, tenhamos o privilégio de ascender aos céus para daí sim, vivermos a vida real, eterna e plena de bem aventurança e amor.

O estudo da Assunção de Maria é parte de um conjunto de estudos de Mariologia. Se quer ver outros artigos de sábios renomados, clique aqui

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