A Fuga para o Egito, por Santa Teresinha

Fuga para o Egito
Fuga para o Egito

Parte I – A Fuga para o Egito é uma peça escrita no outono de 1895 por Santa Teresinha do Menino Jesus na festa da Madre Inês e tem o humor característico da via da doçura, onde Jesus e Maria são retratados humildes, pobres, mas cheios de grande amor pelo pequeno Jesus nas vésperas do exílio.

Essas pequenas histórias são ótimas para meditar enquanto se ora o terço ou contempla em meditação separada. Tente viver as imagens através da imaginação. Esse é um exercício que se torna mais doce a cada prática, estimulando a devoção e aquecendo o coração.

A cena representa a pequena casa de Nazaré.

Maria está sozinha na oficina de José e carrega o menino Jesus no colo. Aos seus pés, vê-se um balaio cheio de roupas, sua roca e seu fuso.

Diz Maria:

Oh, Divino Menino! Como me é doce embalar-te nesta casinha de Nazaré! Aqui, como em Belém, a pobreza é bem grande. Contudo, este abrigo é menos indigno de ti do que o estábulo abandonado.

(A Santíssima Virgem olha a seu redor com ar enternecido).

Oh lugares benditos! Que inefáveis lembranças trazeis a mim! Aqui o anjo do Senhor visitou a menor, a última de todas as criaturas, aquela que pedia como única graça poder servir a ditosa Mãe de Deus. Aqui, o Verbo Divino, a Segunda Pessoa da adorável Trindade, encarnou-se pela ação do Espírito Santo e, por nove meses, permaneceu oculto aos olhos dos mortais.

(Olhando para o pequeno Jesus)

O mundo, então, ignorava tua presença, oh divino Salvador! Agora, trago-te em meus braços como um leve fardo e tuas criaturas ainda não te reconhecem… Desde que os pastores e os magos se foram, ninguém pensa em vir te adorar. Em breve a primavera vai colorir-se de mil flores, mas nenhuma delas se igualará à beleza da Flor que desabrocha em Nazaré, longe dos olhares humanos. Oh, Flor divinamente perfumada! Como é que teu suave perfume não revela tua presença?

Cena 2 da peça “A Fuga para o Egito” – José entra com suas ferramentas de trabalho

(A Santíssima virgem, com o tom de uma doce repreensão:)

José, demorastes demais. Por que prolongais assim vossas jornadas de trabalho?

São José:

Oh, Maria! Deixai-me gastar minhas forças a serviço de Jesus. É por ele que trabalho… Este pensamento me dá coragem e me ajuda a suportar as fadigas. E depois, de noite, ao regressar, uma carícia de Jesus, um só de Vossos olhares me fazem esquecer o cansaço do dia.

(José passa a mão sobre sua fronte para enxugar o suor e senta-se junto de Maria e olha para o menino Jesus. A Santíssima Virgem coloca-o no colo de São José. Então, sua fisionomia assume uma expressão de alegria celeste; aperta o Divino Menino contra o seu coração, beija-o com amor e lhe diz:)

Oh, pequenino! Como é meigo o teu sorriso! Será mesmo verdade que eu, o pobre carpinteiro José, tenho a felicidade de carregar em meus braços o Rei do Céu, o Salvador dos homens? Será mesmo verdade que recebi a sublime missão de ser o pai nutrício de quem com sua presença sacia os ardentes Serafins e dá alimento a toda criatura? Será mesmo verdade que sou o esposo da Mãe de Deus, o guardião de sua virgindade?

Oh, Maria! Dizei-me: que profundo mistério é este? O Desejado das colinas eternas, o Emanuel, objeto dos suspiros de todos os patriarcas, está no meu colo e olha pra mim, seu pobre e indigno servo!

A Santíssima Virgem diz:

Como vós, José, também me espanto por poder apertar sobre o meu coração o divino menino de quem sou mãe. Admiro-me que um pouco de leite seja necessário à existência Daquele que dá vida ao mundo. 

(Depois de um silêncio bastante longo passado em contemplação, Maria retoma)

Logo Jesus crescerá… Devereis ensinar ao Criador do universo como trabalhar… convosco ele ganhará seu pão com o suor de seu rosto adorável.

São José diz:

Que estais dizendo, Maria? Será preciso que Jesus se torne um pobre artesão como eu? Ah… Jamais terei a coragem de vê-lo suportar as afrontas que recebo.

Ainda hoje, o rico Senhor para o qual eu trabalhei não ficou contente com meu serviço. Despediu-me, dizendo-me para ir tentar a sorte em outro lugar. Depois de muitas buscas e recusas, terminei por encontrar trabalho suficiente para um mês inteiro. Poderei fazê-lo aqui, e isso é uma felicidade que não ousava esperar. Não me afastar de Jesus, nem de vós… Que consolação! 

(Percebendo que o menino Jesus está dormindo, diz abaixando a voz:)

O Divino menino adormeceu. Tomai vosso tesouro, a hora do descanso já chegou.

Depõe um beijo sobre a fronte de Jesus, depois apresenta-o à Maria que o pega com cuidado.

A Santíssima Virgem diz a meia voz:

José, que Deus abençoe o vosso sono. Repousai em paz sob o olhar daquele cujo coração sempre vela.

Fim do primeiro ato da peça “A Fuga para o Egito”.

Essa foi a primeira parte da peça escrita por Santa Teresinha chamada A Fuga para o Egito. Para receber notificação da continuação da história, acesse a página inicial e cadastre-se

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